Crédito de carbono: como este mercado funciona?

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Sabemos que a todo momento acontece a constante emissão de gases para a atmosfera, por cada um de nós.

Seja dirigindo um carro, seja andando de avião, produzindo resíduos sólidos, ou por inúmeras outras formas, esses gases são normalmente liberados em toneladas somadas ao longo do tempo e dispersadas pelo espaço. Mas em que isso impacta na nossa realidade dentro do agronegócio?

Continue sua leitura e vamos entender a dinâmica deste processo de emissão de carbono e seus diferentes aspectos.

Mas, primeiro precisamos entender o que é esse chamado crédito de carbono e para que ele serve.

O que é e como funciona o crédito de carbono?

 O chamado crédito de carbono foi estabelecido com a entrada em vigor do Protocolo de Kyoto, em fevereiro de 2005. Este protocolo tem por objetivo central que os países limitem ou reduzam as emissões de gases causadores do efeito estufa. E por conta disso, as emissões e a compensação delas passam a valer muito dinheiro no mercado do carbono.

Por convenção, uma tonelada de dióxido de carbono (CO2) corresponde a um crédito de carbono. Com base no Global Warming Potential, todos os gases do efeito estufa são convertidos em t CO2e. Dessa maneira, o termo “carbono equivalente” (ou COe) é a representação dos gases do efeito estufa em forma de CO2. E o crédito referente a redução da emissão desses gases pode ser negociado no mercado internacional.

A fim de fomentar os países e colaborar para que eles atinjam as metas de redução ou compensação das emissões, os negociadores do Protocolo desenvolveram 3 mecanismos dentro do mercado:

  • Comércio de emissões: no geral, países desenvolvidos que tiverem limites de emissões sobrando (emissões permitidas, mas não usadas) podem vender esse excesso para outras nações que estejam emitindo acima dos limites estabelecidos;
  • Implementação conjunta: neste formato, os países podem agir em conjunto de ações e estratégias para cumprir suas metas, e se um país não conseguir reduzir suficientemente suas emissões, o outro (que conseguirá) poderá ajudá-lo por meio de um acordo firmado entre as partes. Nesta categoria, é possível inclusive que haja investimento do país X em território do país Y, que será considerado país hospedeiro, e se beneficiará dos investimentos e transferência de tecnologia estrangeiros.
  • Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL): neste mecanismo, há permissão para implantação de projetos de redução de emissões em países em desenvolvimento, mesmo esses não possuindo metas de redução de emissão de acordo com o Protocolo de Kyoto. Estes projetos podem ser implementados dentro dos setores de transporte, florestal e energético.

E diante de todas essas possibilidades, sabe-se que quantias altíssimas de dinheiro são envolvidas nestas transações do mercado de carbono. Segundo reportagem da Dinheiro Rural, o mercado de carbono movimentou US$ 214 bilhões no mundo em 2019 e que tem potencial para ultrapassar os US$ 10 bilhões no Brasil.

Países que precisam cumprir metas de redução de emissão compram créditos daqueles que conseguem ser mais eficientes no que diz respeito a essa compensação. E, ao mesmo tempo, esses países que pagam por esse crédito podem acabar investindo nestes locais que conseguem alta redução de emissão de carbono e que se beneficiam dessas transações.

Como isso pode ser útil para o produtor rural?

 Frente a este cenário, você pode estar se perguntando: mas o que isso tem a ver com minha realidade ou a da minha fazenda? Se eu tiver área florestal em minha fazenda consigo vender crédito de carbono? Vem com a gente porque temos algumas respostas.

Quando falamos em geração e venda de crédito de carbono, é preciso entender que, segundo a Sustainable Carbon, há alguns requisitos básicos para que uma propriedade rural se enquadre nesta possibilidade. E é sobre esses aspectos que vamos falar logo a seguir:

  • Tamanho da propriedade: mesmo que este requisito não seja o único exigido, no geral, propriedades com áreas acima de 10 mil hectares têm maior possibilidade de serem viáveis para geração de créditos de carbono;
  • Localização da propriedade: a Amazônia e o Cerrado são as áreas mais propícias no Brasil para geração de créditos de carbono por meio da conservação florestal;
  • Cálculo da taxa de desmatamento: é uma taxa média, por ano, baseada nos índices de desmatamento históricos na região. É ela que vai informar o risco de que a área venha a ser desmatada e quais os esforços necessários para a sua manutenção. Isso interfere diretamente também na quantidade de créditos de carbono gerados naquela determinada área. Quanto mais procurada a área para novas atividades que não seja florestal, maior a geração de créditos de carbono;
  • Documentação atualizada e regularizada: a propriedade precisa possuir documentação em dia para comprovar a regularidade com a legislação;
  • Área georreferenciada: é preciso que propriedade seja georreferenciada para que o projeto possa ser desenvolvido.

Mas muita acima e muito antes de qualquer possibilidade de venda destes créditos de carbono, é preciso lembrar-se do quanto o investimento em projetos de sustentabilidade e que cuidem da compensação dos gases emitidos nas propriedades rurais são importantes para a manutenção da atividade, a longevidade da atividade e o reequilíbrio do sistema.

Algumas práticas regenerativas que contribuem muito com estes aspectos benéficos para o todo são o plantio direto e os sistemas de ILPF (muito bem descritos no artigo “Agricultura regenerativa: realidade atual ou futuro distante?”). E estes são apenas alguns exemplos de estratégias que podem gerar inúmeros e incontáveis benefícios que nem podem ser mensurados, mas que, com toda certeza, refletirão de forma muito significativa em todo o processo produtivo e vital.

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Fontes: Sustainable Carbon, Dinheiro Rural, Ecycle e Ipam

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