As deusas da agricultura que habitam em nós!

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Em muitas histórias mitológicas, as mulheres são vistas como deusas da Agricultura.  Em nossa cultura moderna, é de se notar que a aptidão e o sucesso crescente da presença delas no agro confirma que somos mais do que apenas “mitos”, mas que possuímos a existência das deusas da agricultura dentro de cada uma de nós! 

Em Mulheres Inspiradoras desta semana, acompanhe o breve relato sobre vida, planejamento de carreira, missão no agro e família, compartilhado por uma mulher que protagoniza transformações positivas em todos os lugares por onde passa.   

Bruna Forte Valerio é de São Paulo, capital. Iniciou a sua carreira profissional na Ericsson Enterprise, na área de suporte como telemarketing. Bruna se considera uma apaixonada por tecnologia e, desde nova, colocava metas e se empenhava em cumpri-las para alcançar novas posições no âmbito profissional. Com muito estudo e dedicação, ela foi passando por áreas técnicas, chegando na posição de Gerente de Serviços, sendo a responsável por contratos da vertical de Indústrias e Agroindústrias. Desses contratos, Bruna iniciou um movimento para agregar valor ao cliente e ao mesmo tempo, blindá-los. A partir dessa ideia, ela e a empresa em que atuava nessa época, movimentaram o mercado através dos projetos de Governança de Tecnologia da Informação e Comunicação – TIC. Para Bruna, essa iniciativa que surgiu através de sua ideia, foi algo fantástico, devido a sua habilidade em ser gestora e sempre com a veia executora. Bruna conta que sempre gostou de acompanhar os Assessments, que são os levantamentos da empresa a serem feitos no início de projeto. E esses levantamentos não eram feitos somente em sedes, mas também, nas fazendas de grande porte dos seus clientes. Bruna afirma que para trabalhar com o Agro, deve-se conhecer o Agro. 

O foco da carreira de Bruna era focar na implementação de transparência de custo, na gestão contínua e inserir equipes treinadas para que os clientes possam focar no core business e gerar produtividade. E assim, ela conta que seguiu durante 16 anos nesse mercado passando por outras empresas multinacionais de Tecnologia da Informação e Comunicação e startups, criando áreas, modelos de negócios, capacitando pessoas e criando cases de sucesso em empresas! Ah, e não somente cases em empresas, Bruna conta que possui muitos cases de sucesso de capacitação, se tornando orgulho dos seus analistas, que se tornaram amigos e que, hoje em dia, ocupam posições estratégicas e executivas no mercado. 

Em 2015, Bruna decidiu empreender e assumiu uma área de projetos da empresa da sua família. Ela se especializou na área de projetos corporativos de identidade visual e marketing. Bruna recorda que seus clientes brilhavam os olhos quando viam as metas batidas que ela elaborava sobre redução e gestão em seus Bookings Executivos. Atualmente, os clientes de Bruna brilham os olhos com os projetos de comunicação visual corporativa, que transformam seus espaços físicos em uma experiência sem fim! 

Mas e o Agro? Ela afirma que nunca deixou esse segmento que faz seu coração bater mais forte. Alinhando a sua experiência no segmento corporativo com grandes multinacionais do Agro, Bruna diz que continuou com consultorias para o produtor rural, inserindo processos e posicionando seus produtos no mercado, analisando em comum seus gaps de infraestrutura, processos e marketing para torná-los competitivos e mais profissionalizados. 

A história de Bruna com o Agro começou com apenas 1 mês de vida, sendo ela a sobrinha de um “dentista produtor rural”, como ela mesma define. Seu tio, Roberto de Maio, foi um grande produtor de ovinos na região de Sorocaba em SP. Entretanto, seu tio não nasceu no campo, era um dentista nascido na grande São Paulo, que possuía muito amor a profissão de dentista, e ao mesmo tempo, amor ao campo. Com um mês de vida, Bruna conta que já passava seus finais de semana na fazenda de seu tio. Para ela, a definição que ela dá ao tio é de “um vencedor”, por ter começado com um sítio, depois uma estância e, por fim, uma fazenda, e isso foi graças ao seu trabalho e perseverança. Ela comenta, que seu tio foi um dos percursores do Turismo Rural, transformando a sua fazenda em um hotel, mais conhecido hoje em dia por “Hotel Fazenda Estância de Maio”, sendo um dos lugares mais famosos da região de Sorocaba. Bruna relata que seu tio tem uma visão humanista, linda e de respeito aos animais e natureza. Foram 24 anos de muito aprendizado prático com seu tio valeram por qualquer curso de faculdade ou MBA. 

“A maioria das mulheres poderia dizer sobre o segmento predominantemente masculino e os casos de exclusão e preconceito, correto? Não, para mim, essas questões nunca foram o problema. Nem no Agro e nem em TI. Sempre me posicionei e nunca deixei que ocupassem meu lugar. Vivi uma dificuldade interna, emocional, mas busquei lidar com ela da melhor forma possível.” 

Bruna relembra, que na época em que estava atuando com Governança de Tecnologia da Informação e Comunicação – TIC, foi escalada para um projeto de consultoria em uma multinacional do segmento sucroalcooleiro, uma unificação de usinas que foram adquiridas.  

Com a inserção da mecanização da lavoura de cana por conta da proibição queimadas, houve mudanças na internalização dos processos, nas tecnologias que eram utilizadas, na gestão e na modernização. Como isso indiretamente estava atrelado ao seu trabalho, Bruna relata que participou das primeiras ações da mecanização e, em uma visita técnica em uma fazenda, ela pôde conhecer aquelas pessoas que faziam a colheita manual, os rurícolas, e isso foi um choque de realidade em sua vida, por olhar no olho dessas pessoas e ver que elas provavelmente seriam dispensadas num futuro próximo. Isso foi o fim para ela, como a mesma conta, relatando que pensar dessa forma mexeu demais com seu psicológico. Para Bruna, ela costuma dizer que não existe dificuldade maior do que lidar com as emoções. Entretanto, tudo foi superado, pois foi a partir desse episódio que ela presenciou com aqueles trabalhadores, que surgiu a sua vontade de mudar a vida do pequeno e médio produtor rural. 

Em meados de 1990, a família de Bruna já estava inserida nas melhores práticas sustentáveis, de bem-estar animal e de boa gestão de propriedade. Atualmente, Bruna vê que se especializou em ESG (Ambiental, Social e Governança) muito antes do termo se popularizar, pois seu tio já o praticava com muita maestria e com os recursos que tinha disponíveis. 

A criação de ovinos do seu tio se dava com o gado solto no pasto, através de um sistema de manejo muito humanizado. O tio de Bruna disponibilizava ao seu rebanho o sal de proteína, auxiliando ainda mais na dieta balanceada dos animais. As práticas adotadas também respeitavam o bem-estar animal desde o nascimento até o abate. Havia uma estrutura de confinamento onde se aproveitava absolutamente tudo do animal, pois eram vendidos a carne em peças selecionadas, os ossos, e o esterco que serviria como produção de adubo orgânico. Com a lã, eram produzidos edredons e tapetes. Na fazenda, havia equipamentos de captação hídrica, coleta seletiva e reaproveitamento de 100% dos alimentos, como hortaliças e frutas que eram cultivados no local. Bruna relata que seu tio empregava muitas pessoas das cidades vizinhas de Sorocaba, quando era a época das altas temporadas, sempre visando o bem-estar dos seus funcionários e das famílias. Para Bruna a fazenda do tio é como um lugar mágico que se perpetuou por muitos anos, pois havia uma gestão financeira e de processos de forma muito saudável.  

Bruna diz que a mulher é vida, é determinação e transformação! Ela enxerga o papel da mulher no segmento agro como de suma importância e diz se sentir muito feliz por ver que a representatividade da mulher no campo cresce a cada dia mais, não apenas pelo fato da cultura do “politicamente correto” ou por causa dos temas em debate, como a igualdade entre homens e mulheres, mas sim, porque esse crescimento e representatividade das mulheres que estão inseridas no setor é devido ao fato da alta competência delas! 

“Já pararam para pensar que o Agro nas mitologias grega e romana era representado por uma deusa? Deméter (grega) e Ceres (romana), deusas da colheita, fertilidade, do ciclo da vida e da agricultura. Se os filósofos já enalteciam essa representatividade feminina, não tem muito o que discutir sobre a presença da mulher no agro, não é mesmo?”.  

“Eu sou luz, foco e persistência! Nessa vida eu posso tudo o que eu quiser!” – Bruna Forte Valerio 

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Sobre o Autor

Engenheira Agrônoma, pós-graduada em Administração e Negócios (Unoeste).

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