Drones: novos voos para o agronegócio brasileiro

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*Por Angela Gheller, diretora de Manufatura, Logística e Agroindústria da TOTVS 

O uso corporativo de drones tem se tornado cada vez mais comum em todo o mundo. Empresas de diferentes setores encontram nos veículos aéreos não tripulados (VANT) aliados tecnológicos e estratégicos para o desenvolvimento de suas atividades. Um levantamento da PwC mostra que, globalmente, esse mercado já atingiu a marca de US$ 127 milhões por ano – dado que deve seguir em crescimento. Um bom exemplo de segmento no qual o uso corporativo de drones é promissor e pode trazer inúmeros benefícios para os resultados é o Agronegócio que, de acordo com este mesmo estudo, deve ampliar o uso deste tipo de equipamento em até 69% nas próximas décadas. 

Segundo registros da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), em 2021, dos 79 mil aparelhos registrados, apenas 1.492 estão cadastrados para o uso agrícola. O número de drones agrícolas, que representa 2% do total, ainda pode parecer irrisório, principalmente se levarmos em consideração os quase 66 milhões de hectares de agricultura brasileira, segundo dados da Embrapa. No entanto, o potencial que essa ferramenta tem em substituir aeronaves é o que gera especulação do uso dos drones para o futuro do agronegócio. Afinal, quais são as vantagens que esses aparelhos trazem para a produtividade dos players do setor? 

Mesmo não havendo uma média universal de hectares que um drone consegue cobrir, pois isso depende do porte do equipamento e o objetivo de uso, alguns estudos sobre o assunto preveem que um drone (não especificado modelo/tipo) consegue cobrir até 13 hectares em uma hora, enquanto um pulverizador costal faz 0,1 hectare no mesmo intervalo de tempo. Isso comprova que o ganho de produtividade que uma aeronave traz para a produção agrícola é de fato relevante. 

Com a captação de imagens aéreas de qualidade e amplitude em qualquer território de plantio, a vantagem é que, a partir dos registros, é possível analisar o atual estado do cultivo para então definir eventuais melhorias a serem feitas. Com isso, uma série de atividades do cotidiano podem ser não apenas automatizadas, como também aprimoradas. 

Outro exemplo de utilidade do equipamento no campo é para o controle de pragas. O escaneamento aéreo traz informações instantâneas sobre infestações e saúde das plantações, incluindo até o nível de nutrição. As fotos e vídeos feitos com os drones trazem precisão sobre o estado de toda a colheita, 100% digital e em tempo real. 

Drones ainda podem fazer a contagem de plantas, mostrar falhas e linhas no cultivo, identificar ervas daninhas e avaliar o estado geral das folhas e/ou frutos. Os VANTs podem até mesmo mostrar se a terra precisa de mais nutrientes ou irrigação, assim como irregularidades e características do terreno, apontando os locais mais adequados para cada tipo de cultura. 

Apesar de tantos benefícios, o principal ponto de atenção que as agroindústrias precisam ter para adoção do drone no agronegócio é a Legislação. Em setembro deste ano o MAPA (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) publicou no Diário da União, a Portaria nº 298, que “estabelece regras para operação de aeronaves remotamente pilotadas (ARP), destinadas à aplicação de agrotóxicos e afins, adjuvantes, fertilizantes, inoculantes, corretivos e sementes”. Com o crescimento no uso de equipamento na agricultura brasileira, a regulamentação tem o objetivo de adequar as exigências legais desta tecnologia, que em muito se diferencia das aeronaves tripuladas. 

Fato é que já sabemos há algum tempo que a tecnologia aumenta a produtividade geral do trabalho no campo, seja pela automatização de todos os processos da lavoura, pela aplicação de IoT nas máquinas agrícolas ou pelo cruzamento de dados para tomada de decisões, entre outros usos já consolidados. Chegou a hora de incluir os drones e todas as suas vantagens nesse pacote. Não adotar os VANTs pode ser o diferencial entre um negócio de sucesso e a obsolescência no agronegócio brasileiro. 

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