Maternidade e carreira: como conciliar papéis?

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Doação e amor incondicional são palavras que definem bem o sentimento de uma mãe para com seus filhos. Neste dia tão especial, apresentamos a vocês, em parceria com a VetBR, histórias inspiradoras de mulheres que com resiliência e muito amor são, além de excelentes profissionais, mães extraordinárias 

Texto: Marluce Corrêa Ribeiro – Jornalista e redatora do Portal Agromulher 

Para mulheres que sonharam com o sucesso profissional e também sempre desejaram ser mães é muito difícil ter que escolher entre um destes sonhos. Mas quem disse que esta escolha é necessária? Carreira e maternidade podem ser conciliadas. São sonhos complementares que não precisam ser vividos exclusivamente. Não precisa ser um ou outro. É possível conciliar. É possível ser um e outro. Com certeza não é fácil. Mas o que de fato é fácil nesta vida? Todos os caminhos são difíceis. Nos resta escolher o nosso difícil. 

Como bem disse a CFO da VetBR, Adriana Karla Araújo, mãe da Giullia (12) e do Gabriel (8), “conciliar maternidade e vida profissional nunca será fácil. E por vários momentos nos esquecemos de nós. Nos preocupamos com filhos, marido, casa, profissão e nós ficamos esquecidas.  E tudo precisa de equilíbrio. Precisamos encontrar o nosso equilíbrio, fazer algo por nós, nos cuidar, cuidar da mente, do corpo e da saúde. Não por pressão social, mas por nós, para nos sentirmos bem. Eu tenho uma família maravilhosa, um marido que me apoia e ajuda muito e isso, sem dúvidas, favoreceu e favorece muito. Sozinha, dificilmente eu conseguiria chegar onde cheguei e onde ainda chegarei”, comenta a Economista reconhecendo a importância de uma rede de apoio. 

É nesse momento de grande mudança que a mulher precisa reencontrar seu ponto de equilíbrio que, muitas vezes, fica perdido entre tantas tarefas, cuidados e novas funções que precisam ser desempenhadas para assumir o papel de mãe. Muitas mulheres se cobram muito e acabam se frustrando e tomando para si uma culpa que não lhe pertence por, muitas vezes, não conseguir desempenhar tudo aquilo que ela conseguia antes da maternidade dentro de 24 horas. 

Mas com calma e com o passar dos dias, a mulher deve buscar entender o processo pelo qual ela está passando e enxergar o quanto ela tem se superado e o quanto ela tem sido brilhante por se dedicar tanto aos filhos, à família, aos afazeres da casa e ao trabalho. A sensação de superação e de realização pessoal são extremamente importantes para que essa mulher alcance seu bem-estar e se sinta feliz com sua qualidade de vida e com sua relação maternal recém-estabelecida. 

É muito comum ouvir depoimentos de mães que dizem que não se lembram mais como era a vida antes dos seus filhos. Também é corriqueiro ouvir dizer que foi ali que conheceram o maior amor do mundo. E não é de se duvidar. A maternidade chega trazendo o amor mais intenso e a ligação mais forte que pode haver entre duas pessoas. Uma virada de chave, uma mudança de rota. Fato é que a maternidade traz consigo um turbilhão de sensações nunca antes vividas. A redefinição de prioridades se torna a realidade para muitas mulheres. A autocobrança tanto na vida pessoal quanto na vida profissional passa a se tornar real. E é preciso ser resiliente, entender o seu propósito e respeitar o seu tempo. 

Uma boa alternativa é a mulher, agora também mãe, pensar e relembrar o que a faz realizada profissionalmente, o quanto ela gostava do que ela fazia no trabalho antes da gravidez, o quanto ela vai se sentir bem sabendo que está fazendo algo que ela domina, que ela gosta e que a fará reencontrar habilidades que podem ter ficado camufladas pelas novidades da maternidade. É extremamente importante que a mãe coloque em prática o autocuidado e cuide do seu bem-estar para que os seus filhos também sintam o reflexo dessa satisfação. Outro ponto importante é aceitar ajuda de uma possível rede de apoio. Você, mãe, não tem que dar conta de nada sozinha. Por isso, alinhar e equilibrar aspectos como vida profissional, amorosa e lazer é extremamente importante para que não haja sérios conflitos entre os diversos âmbitos da vida da mulher com a chegada da maternidade. 

Mães empreendedoras 

E neste cenário que coloca em pauta a carreira e a maternidade, temos ainda as mulheres empreendedoras. Cada dia é mais comum a realidade de mulheres que são donas do seu próprio negócio. Mulheres corajosas e empoderadas que ousaram construir o seu negócio com garra e determinação. Divididas entre mil e uma atividades da vida empreendedora, muitas mulheres são também mães. E esse talvez seja o papel mais importante de todos os que ela desempenha dentro de 24 horas. Entre as vantagens da vida empreendedora, podemos citar a flexibilidade de horários para poder estar com os filhos. Da mesma forma, a mesma empreendedora não tem hora marcada para se desconectar do trabalho. É, de fato, uma faca de dois gumes.  

Assim é a realidade de Natália Colussi Toret Teixeira, empreendedora e mãe da Heloísa (6) e da Fernanda (3). Sócia proprietária de 3 pet shops, Natália se divide entre suas diversas versões. A Natália esposa, a Natália mãe, a Natália líder e empreendedora. A Natália que viu a paciência ser o maior dom adquirido com a chegada da maternidade. A Natália que passou por uma enxurrada de mudanças ao se tornar mãe, e que hoje encontra a razão de tudo ao olhar o sorriso de suas filhas.  

A maternidade “é um sentimento único, é imenso, que só conhecemos quando nos tornamos mães. Você pode ter tido o seu pior dia no trabalho, mas quando eles olham pra você e dão um sorriso, aí você lembra o porquê que tudo vale a pena!”, afirma a empreendedora.  

Mães e profissionais em tempo integral 

A maternidade começa trazendo grandes mudanças para a vida da mulher. O corpo, os sentimentos, as emoções… tudo fica diferente. Com o tempo, a responsabilidade vai aumentando, a maturidade também vai sendo construída e, de repente, o filho que chega transforma a mulher em mãe. Essa foi a sensação de Flávia Luna Alves da Silva, com a chegada da 1º filha, no auge dos seus 18 anos, e não foi diferente com a chegada dos outros 3, sendo duas gêmeas. “A principal mudança foi o crescimento como ser humano, amadurecimento, aprendi a ver as coisas com um outro olhar. A maternidade te faz desenvolver um sexto sentido que nunca imaginávamos ter, nunca mais olhamos as coisas com os mesmos olhos”, afirma a mãe de Isabella (25), João Pedro (18) e as gêmeas Alícia e Sofia (15). 

O tempo passa e Flávia continua assumindo inúmeros papéis: mãe, mulher, profissional e provedora do lar. O mais belo deles, sem dúvida, veio com a maternidade. “A maior alegria de uma mãe é ouvir o choro do seu bebê ao nascer, conhecer o seu rostinho, não tem momento mais emocionante no mundo”, relembra. E independentemente da idade dos filhos, mãe é sempre mãe. E Flávia considera o maior desafio qualquer doença que possa acometer seus filhos, mesmo que já adultos. Afinal, coração de mãe é sempre coração de mãe. Amor de mãe é sempre amor de mãe. 

Basta parar para ouvir alguns depoimentos de mães para nos lembrar que amor de mãe é algo que transcende o entendimento humano. Algo divino, abençoado. Amor que une. Amor que gera identificação. Mesmo com realidades tão distintas, mães se identificam e se tornam empáticas umas com as outras, afinal os desafios são muito semelhantes. Muitos desafios passados por Natália, que foi mãe aos 30, foram também enfrentados por Flávia, que foi mãe aos 18, e por Suelen Bernardes de Morais, recepcionista, que foi mãe aos 17. Suelen, mulher de garra e resiliência, é mãe de Kayo (12), Kaislane (10), Sanmya (9) e Maria Eduarda (3). 

Com a maternidade, Suelen aprendeu que nem tudo está sob nosso controle. Mas que é importante se manter organizada com tudo aquilo que é possível prever. Suelen, assim como muitas mulheres se tornou mais responsável, mais guerreira e mais corajosa com a chegada da maternidade. E é com esta certeza e com esta coragem que ela se mantém motivada e busca sempre ser uma pessoa melhor para continuar sendo o espelho dos filhos. “Minha motivação é vê-los crescendo e se tornando pessoas boas e ver que todo o meu esforço está valendo a pena”, afirma Suelen orgulhosa. 

E a você, mulher, que, assim como tantas de nós, sente-se insegura para voltar ao mercado de trabalho após a chegada da maternidade, Adriana Araújo, CFO da VetBR, relembra o seguinte: “tenha certeza, voltamos muito melhores. Mais seguras, mais determinadas, mais humanas e mais gentis. A empatia favorece as relações, intensifica o senso de equipe e favorece qualquer atividade profissional. Fique tranquila!” 

Maternidade: um divisor de águas 

Se pudéssemos definir a maternidade, talvez seríamos tão felizes no conceito como foi a CFO da VetBR, Adriana Araújo. Ela descreveu que a maternidade para ela foi um “marco temporal que mudou sua vida”. Sim. Como se houvesse uma Adriana antes e outra depois da chegada de Giullia e Gabriel. Do alto dos seus 36 anos, extremamente comprometida com sua vida profissional e com seus estudos ininterruptos, Adriana se viu diante de um papel que ela nunca antes havia experimentado. E muita coisa mudou. O corpo já não era mais o mesmo, assim como a maturidade, a paciência e tudo que viria com a chegada dos filhos. “Mudam-se os conceitos e as formas de pensar e agir. Você passa a ter um ser indefeso aos seus cuidados. A frase que muitos acham piegas, ‘meu coração que bate fora do peito’ é a mais pura verdade. É um amor que é inexplicável. Imensurável. A chegada do Gabriel 4 anos depois, só veio fortalecer ainda mais esse amor.  E, a partir da maternidade, a vontade de crescer e aprender, só aumenta. Ficamos mais guerreiras. E equilibramos ‘muitos pratos’ ao mesmo tempo: mãe, esposa, profissional… E nos cobramos muito para sermos perfeitas em tudo. Isso nunca é fácil”, declara Adriana. 

Inspirada pelo exemplo da mãe, dona de casa, e muito apoiada também pelo pai, operário, Adriana, assim como tantas outras mulheres pelo Brasil, teve de superar grandes desafios desde a adolescência. E nunca perdeu as oportunidades que surgiam para estudos, trabalhos e experiências profissionais. E todo esse caminho a levou para a sua primeira grande conquista: a aprovação no vestibular de Economia. De lá pra cá, a vida mudou bastante e a menina que ingressou na faculdade passou a assumir muitos outros papéis. E o de mãe, com certeza, veio para mudar todo o resto.  

“O que posso dizer é que a melhor fase da minha vida profissional veio após meus filhos. Após ser mãe diminui muito o meu imediatismo, o achar que tudo tem que se resolver rápido. Você entende que tudo tem seu tempo. E que decisões sem pensar, normalmente levam sempre a ações desnecessárias. Aprendi com a maternidade a ter um pouco mais de paciência e serenidade. Aprendi a seguir e usar muito minha intuição (super importante e um grande diferencial). E a Adriana-profissional mostrou para a Adriana-mãe que os filhos precisam e necessitam de planejamento, organização e um mínimo de rotina. Precisam de bons exemplos para se tornarem pessoas de bem”, declara a CFO da VetBR.  

E é assim, entre dúvidas, autocobrança, incertezas, amor incondicional e grandes alegrias que a consultora de vendas Flávia (Sapucaia-RJ), a empreendedora Natália (Santo André-SP), a recepcionista Suelen (Perdões-MG) e CFO da VetBr Adriana (Alfenas-MG), mesmo tão distantes fisicamente, se encontram no ato de ser mãe, se reconhecem no mesmo amor e nos mesmos desafios, e sentem o seu coração bater fora do peito e enchê-las de orgulho e realização. Ao mesmo tempo em que exercem sua profissão com tanto amor e determinação, na certeza de que estão exatamente onde deveriam estar. 

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Sobre o Autor

Filha de produtores rurais, técnica em agropecuária, jornalista e estudante de Agronomia.

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